Como aumentar a sensibilidade do seu Doppler Colorido

O ajuste da sensibilidade do Doppler colorido é essencial para a manutenção dos padrões de imagens durante a realização de diagnósticos.

Por ser responsável pela detecção de fluxos de baixa velocidade, pode, por exemplo, ser a diferença entre a descoberta de um cisco benigno, não vascularizado, e de um câncer de mama, que possui um sistema delicado de irrigação. Tudo dependerá de como o equipamento foi calibrado.

Para que erros não ocorram, é necessário que o profissional responsável pela manutenção dos equipamentos, e seus usuários, ajustem a sensibilidade do Doppler de acordo com as requisições do exame.

Como fazer isso? A maioria dos ultrassonografistas utiliza os botões referentes ao ganho e ao PRF, ou Frequência de Repetição de Pulso.

O que é ganho?

A configuração “ganho” determina a sensibilidade do sistema ao fluxo. Ao reduzir o ganho, a imagem gerada terá pouquíssimo ruído e artefatos de movimento, mas os sinais de fluxo fracos não serão detectados.

Já o ganho alto terá muito ruído ao mesmo tempo em que a sensibilidade ao fluxo aumenta. A solução é encontrar o equilíbrio para detectar os fluxos de interesse sem ter um ganho excessivo.

Quais os perigos de um ajuste de ganho incorreto? A produção de sinais em áreas onde não há fluxo sanguíneo, chamados de fluxo artefatual, mostrando uma imagem com pixels coloridos extraluminais.

Uma dica para evitar esse problema é aumentar o ganho até aparecer ruído aleatório e baixá-lo novamente até o ruído desaparecer.

A relação entre frequência e sensibilidade no Doppler Colorido

Ao alterar a frequência emitida pelo Doppler Colorido, é possível obter uma imagem com mais detalhes.

Por exemplo: um exame de fígado feito com 3 MHz mostra uma imagem com pouco definição, enquanto um exame feito a 5 MHz permite uma visualização melhor dos fluxos do fígado, permitindo a detecção de problemas estruturais. Mas é importante ressaltar que essa lógica não pode ser utilizada sempre.

Existe um limite para o aumento da frequência, e é ditada pela capacidade de penetração nas células do corpo, que atuam como dispersores das ondas.

Ou seja, é possível obter uma imagem ótima com o aumento da frequência do Doppler colorido até certo ponto. Ao atingir esse ponto, a imagem passa a se deteriorar novamente.

Sendo assim, podemos destacar outras três funções que são fundamentais para otimizar o exame de ultrassom. Veja abaixo!

Balanço, Sensibilidade e Filtro.

Entenda como cada uma poderá lhe auxiliar:

  • Balanço (balance): essa função diferencia o que está em movimento (fluxo) e o que está parado (tecido) através de uma escala de cinza e cor, geralmente azul e vermelho. Ao equilibrar o ganho do Doppler Colorido em relação ao bidimensional, aumenta-se o preenchimento do vaso com cor, criando uma melhor resolução da imagem. Normalmente, o balanço em níveis baixos gera um aspecto de falhas na imagem, principalmente próximo às paredes do vaso. Aumentando este nível, conseguiremos o preenchimento dos vasos e aumento da captação de fluxo.
  • Sensibilidade (sensitivity): como o próprio nome já diz, sua principal função é aumentar a sensibilidade da captação de fluxos de baixa velocidade, ou seja, ao aumentá-la, o Doppler Colorido ficará mais sensível a baixos fluxos, como se o PRF estivesse sendo diminuído. É aconselhável que esta função seja usada juntamente com a regulagem do PRF.
  • Filtro (filter): a função filtro ajusta a captação para que tenha o menor nível de interferência possível que possam sujar o traço (imagem). O filtro age principalmente no movimento das paredes dos vasos analisados, retirando os movimentos do mesmo juntamente com as informações do fluxo, deixando-o menos sensível. Ou seja, quanto menor for o filtro, maior será a sensibilidade.

 

Ao aliar balanço, sensibilidade e filtro com os ajustes de ganho e PRF, o resultado será um Doppler colorido mais sensível e exames com resultados ainda mais precisos.

Mas lembre-se que esses pequenos ajustes devem ser feitos por um profissional experiente e capacitado.

 

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